terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Força do Silêncio XI


Aprendendo...

Já dizia a sábia mãe que me criou: "vivendo e aprendendo"... É a materna sabedoria que eu só compreendo vivificando o ditado... De curvas e... estradas e... descaminhos a vida se faz e desfaz metade do que somos e refaz as metades que nos perderam pelo caminho... A gente aprende com quem fala demais que o silêncio é precioso... A gente aprende com quem ama demais, a potencializar aquilo que nos faz bem... A gente aprende a cuidar da gente e a esperar aviões mesmo que eles nunca cheguem... E aprende e aprende... E quando pensa que sabe de tudo, vem a vida faceira em círculos, recriando moinhos de vento e nos fazendo sempre "Dom Quixotes" sem gigantes... Há sempre algo escondido no brilho ou na ausência do brilho.. Um segredo ou um mistério no olhar fosco que alguém enxergou... Muito provavelmente a exemplo da parábola da cortina branca do vizinho e da janela suja pela qual alguém o enxergava e o criticava... A gente aprende a não magoar quem gosta, porque já foi magoado por alguém de quem gostou... Aprende que estar perto da rosa é desfrutar de sua beleza, mas também desviar dos espinhos que a protegem... É... A gente aprende que o que nos prende a algum lugar, não é o lugar em si, mas as pessoas que te fazem sentir-se bem lá... Aprende que quando deseja demais uma coisa, enxerga em todas as outras que perfazem a sua vida, motivos que colaboram para tornar a necessidade mais confortável de ser atendida... E quando pensa que não tem mais nada a aprender... A vida e as pessoas provam que não é nada disso... Que ainda é preciso mais, um xícara de chá, uma pausa para o papel, mais leituras e mais paciência... "Paz e paciência" _ disse o Mago... É querido Mago, a gente aprende... Aprende na escola , na vida , na estrada, na esquina, no olhar indiferente, na cor da rosa, no sangue que ela derrama... A gente aprende a ter pressa e paciência ao mesmo tempo... Aprende que para entender os pais é preciso deixar de ser apenas filho para tomar o lugar deles... Com a pedra na estrada: o desvio ou a retirada... Com a tela mágica: a aproximação ou a consentida solidão... Com decepções: a gente aprende a confiar menos, a amar menos; mas, nunca,  a desistir de querer um algo a mais com cara de janelas por invadir e cortinas para aconchegar... Com o tempo a gente escolhe os aconchegos, redesenha os lares, refaz os olhares, relê os amores e decide que, afinal, nada era tão verdadeiro e tão real quanto há um minuto... Com o tempo e as pessoas, a gente aprende que a adolescência pode transformar ares de primavera em tufões destruidores que duram um segundo... Com o tempo e o espaço, a proximidade é grito no poema e uma pausa na respiração... Com a letra da música dá pra perceber, que embora sejamos únicos, tem gente que pensa parecido... Se não somos a ilha que imaginamos, a introspecção é uma escolha... E a gente aprende... A expulsar o que é invasivo, a respeitar o desejo de gritar... Com o olhar e o sorriso da criança próxima ou distante, a gente aprende o quão maternal pode estar, mesmo sem o saber... É... A gente aprende na estrada, como fazer o caminho... Aprende no espaço como encontrar o conforto... Aprende perguntando, o valor de uma resposta... Na carta escrita que nunca foi entregue, na música piegas às três da madrugada... Aprende o que realmente é importante ter por perto, aprende o que realmente é real... Quando tudo parece artificial na vida distante das linhas timelineanas, nas fotos, discos, livros e saudades do que nunca tocamos... A gente aprende quão valiosos são os desenhos da menina, e os cabelos de sua bonecas, e sua "estranha" paixão por vestido pretos... A gente aprende que a mochila de objetos dominicais que acompanham na viagem é um mundo nas costas, é um mundo em outro mundo... A gente aprende que ilhas mágicas só podem mesmo abrigar magos e que cidades-solidão não se chamarão assim por tanto tempo... A gente aprende matemática na ausência, conta o tempo e corre contra ele... A gente corre pra não perder o trem , pra não perder a hora, pra não perder a vida... Lê sígnos, livros, poemas, a vida em rede sociais... A gente escolhe não se render, a gente escolhe nem mesmo lutar... E o vapor é quente como a lembrança de uma noite mal dormida ou de um banho bem tomado... Nos sonhos aprende o quão confortantes certas coisas poderiam ser se fossem reais, se não são... Nas fotografias e suas essências, nos desenhos bem traçados e seus caprichos, nas palavras que descrevem o mundo: o valor do cuidado, do carinho, da presença, da observação... A gente aprende a amar, depois de tudo isso as imperfeições, se é que elas existem... Aprende a amar presenças distantes... Aprende a amar sorrisos e olhares verdadeiros,leves e doces... A gente aprende, às vezes contra o tempo,ás vezes com o tempo... Que o que importa não precisa estar visível ao mundo, mas, sim, fazer-se presente em nosso mundo... 

"Esperar, observar e apaixonar o espírito... três passos para a decolagem..."

2 comentários:

  1. A sensibilidade do leitor enfatiza as propriedades do texto em seu contexto de observar... Obrigada pelo comentário...

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